MEL – Associação Movimento Educação Livre

Que estar e ser são estes, em que temos estado e sido por aqui?

Que estar e ser são estes, em que temos estado e sido por aqui?

On Abril 6, 2020, Posted by , In Uncategorized, With Comentários fechados em Que estar e ser são estes, em que temos estado e sido por aqui?

De repente, uma sociedade (e uma escola) que teimam em não poder mudar o que quer que seja porque estamos todos num grande enleio de compromissos, são forçados a mudar. 

E o mais interessante, parece-me, é que afinal descobrimos aqui neste tempo de pausa que há mesmo muitas coisas que não são assim tão importantes. Que esta pressa toda para chegarmos não sei onde, serve de pouco quando se trata de nos mantermos vivos.

Os tempos de crise contêm em si o caos, o súbito, a desorganização, o medo, a incerteza. Mas também a possibilidade. Para a mudança, aquela para a qual nunca temos tempo, ou nunca estamos no tempo certo. Reconsiderar, imaginar, projetarmo-nos na vida como antes não fomos capazes.

Este tempo COVID-19, em pleno 2020, é um desses momentos trágico-transformadores. Em potência. Uma crise sanitária que nos permite observar, globalmente, que estar e ser são estes em que temos estado sido por aqui.

O assunto é complexo. Um caldeirão pesado onde temos vindo a preparar uma sopa explosiva. E hoje queria pensar sobre o que desta sopa pode, ainda assim, ser nutritivo.

Queria pensar sobre as possibilidades, sobre esta situação das famílias estarem todas, em teoria, em ensino doméstico. Porque na prática, não estão. A opção pela educação em casa, homeschooling, ensino doméstico, não foi uma opção. E por não ter sido uma decisão, consciente, intencional saltaram-se uma série de etapas. E é por isso, por se tratar afinal de uma escapatória, um bunker, um alçapão apertado e cheio de pó, que é confuso que neste cenário, prevaleça uma preocupação com as crianças e os jovens que é, não sobre o seu bem-estar, enquanto pessoas inteiras que vivem esta situação por inteiro, mas com as actividades escolares.

O que me deixa em modo reflexivo, é a forma como, por um lado, compreendemos a urgência de acautelar o colapso do sistema de saúde, e a morte de muitas pessoas e, por outro, no que toca às crianças, o mais importante é que façam os trabalhos da escola e mais os trabalhos de casa e que não se atrasem (para quê, exactamente?)

Texto completo aqui.

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